Facebook, Lovebook

Um amigo da faculdade, que até então morava na França, me conta que está de mudança para ensinar nas Ilhas Maurício. Abro a Wikipédia para ver onde é e morro de alegria por ele. Outra amiga, de Salvador, me conta que está concorrendo a uma vaga de trabalho em São Vicente e Granadinas. Mais pesquisas, mais páginas abertas. (Estou no livro de areia de Borges, afinal.) Conversamos sobre a viagem, enquanto fico sabendo que minha quase-irmã que foi morar na Argentina está grávida novamente. Alegria!  Minha filha do coração, que mora na Itália, manda as fotos do encontro que teve com a doceira fantástica que fez o bolo do meu casamento e  que, por coincidência, mora na cidade ao lado. É a lei natural dos encontros e eu chorei de emoção.  Vibro pela ex-roomate que terminou a dissertação. Sofro com o amigo em Barcelona, prestes a fazer uma cirurgia no olho e por outra que se recupera em casa. Torço pelo novo amor de mais uma quase-irmã que não esconde o sorriso.  Acompanho o romance secreto de um casal que suspira entre cenas de cinema e músicas que falam de força e saudade.  Respondo mensagens de amigos que moram aqui. Marcamos encontros, postamos as fotos. Ouço desabafos, dou conselhos de amor.

Isso é o Facebook na minha vida.

Se eu conseguisse vivenciar a experiência de participar de uma rede social sem tanto envolvimento eu não precisaria sair de lá de vez em quando. Mas eu saí. Suspendi minha conta no Facebook só porque amo demais. Amo os meus amigos, todos ao mesmo tempo, sou amada por eles e isso é tão envolvente que me apresenta o risco de não dar conta das obrigações da vida real. A mais urgente delas é o doutorado. Entrei em estado de concentração no meu trabalho e o afastamento do Facebook ajudou. O tempo passa rápido quando entramos lá e a vida real pede dedicação.

Confesso que senti medo de perder a força dessas amizades no dia em que deletei a conta.  Para minha grande surpresa,  fui acordada às duas da manhã por uma das minhas amigas. Ela não me achou no Facebook e queria me contar que ouviu o primeiro “eu te amo ” do seu amado. Dormi tranquila e muito feliz.   Amigos de verdade esperam, entendem, aguardam, sabem onde me encontrar e nunca deixam de amar. E eu a eles. Facebook é o meu Lovebook.

 

Atualização: como eu consegui terminar um pedaço de capítulo da minha tese, resolvi ficar no Facebook no final de semana. Acho que é uma boa solução.

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